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terça-feira, junho 10, 2014



Logo pra começar a conversa, a maior de todas as revelações: "sim, meu nome é mesmo Isadora hahahahhhaha". Isadora Brandelli é a autora, escritora, pintora e ilustradora por trás da página "Isadora Não Entende Nada". Sucesso no facebook, Isadora vem trilhando um caminho para o sucesso construído tão somente de amor - sentimento que, para ela, é a razão de tudo no mundo. "Pra mim, tudo que acontece no mundo, tudo que desacontece, tudo que virá a acontecer, é sempre sobre amor", diz a artista.

Semana passada publicamos um perfil sobre a Isadora (que você pode ler clicando aqui), e logo abaixo você pode ler a entrevista exclusiva que ela deu pro Chama Alternativa! :)

Quem é Isadora?
Eu nasci em Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha e há 5 anos vim pra Porto Alegre fazer faculdade de Publicidade. Dois anos depois troquei pra faculdade de Artes e agora tô largando pra fazer arte heheheheh. Eu tenho 23 anos e olha, minha vida até agora tem sido fantástica hehe já mudei mil vezes, já recomecei mil vezes, e cada vez parece que eu tô exatamente onde eu gostaria! Mas isso são coisas. Eu tô mesmo é preocupada com as coisas do mundo. Minhas causas são os animais, o veganismo, a bicicleta, a mobilidade urbana como um todo, ahhhh, e o amor, sempre!

Quando e como começou a sua relação com arte?
Desde criança eu sempre desenhei e pintei bastante. Na minha adolescência isso parou um pouco. A relação com a arte voltou quando eu vi que não queria mais fazer publicidade e tive que pensar o que eu realmente queria fazer da vida. Mas na verdade quem deu a ideia foi uma amiga em uma mesa de bar no carnaval na praia hahaha daquela noite em diante eu tinha resolvido fazer artes. Lá de onde eu venho ninguém nunca vai pensar em fazer uma faculdade de artes. Arte não é coisa que se faça hehehe.



Quando você começou a pintar? E a escrever?
Eu passei um ano na faculdade de artes sem produzir nada meu. Eu sabia desenhar, mas não sabia imaginar, não sabia ser criativa. Teve um dia de abril 2012 que eu tinha que ir pra aula às 8h30 da manhã. Tava chovendo muito. Eu tinha uma aquarela em casa. Eu tinha um livro antigo. Eu nunca tinha usado aquarela mas aquele dia de chuva parecia bem propício. Pintei algumas paginas do livro antigo e no mesmo dia tranquei a faculdade que eu não tava curtindo e fiquei fazendo isso. Aquele parece que foi o dia em que eu aprendi a imaginar, aprendi a criar um pouco. Depois disso eu só queria fazer algo que fosse meu, era ali que eu podia falar

Sobre escrever não sei direito. Sempre gostei de escrever algumas coisas, ler outras. Sempre gostei de unir a pintura com alguma poesia também. Escrever é mais um desabafo, é organizar pensamentos e tirar de dentro o que sobra. Uma tentativa diária de usar palavras de uma forma bonita.

Seus registros do tumblr são extensos. Há quanto tempo você começou a produzir de forma mais “profissional”?
Ano passado, quando fiz a pagina, em maio de 2013, foi quando resolvi mostrar pras pessoas o que eu fazia e eu não tinha ideia de como seria o resultado. Em algum tempo as pessoas começaram a querer comprar meus trabalhos. Eu nunca entendi direito isso, mas me deixa bem feliz. Mas não consigo ver isso como algo profissional. São coisas que faço porque amo, porque tenho muitas ganas de fazer... e se alguém gostar disso, se alguém quiser fazer algo com isso, vou achar muito bacana também!!! No momento eu vivo disso e de trabalhar em um café vegano. Os dois me divertem tanto que eu ainda acho que eu não trabalho!

Você tem uma grande quantidade de trabalhos, tanto de escrita quanto de pintura. Como é o seu processo de criação?
hahahahaha não é nada fantástico. Eu pinto deitada na minha cama, jogada no sofá, sentada no chão. Eu não me preparo pra isso, mas eu fico o tempo inteiro pensando nas coisas que eu vejo ou que me contam, pensando algo que seria legal pra representar tudo isso e não é por querer, virou "algo que eu faço". Quase todo dia eu faço pelo menos um desenho novo, mas é porque acho que quanto mais eu penso nisso, mais ideias tenho. Que nem pra escrever, é sempre sobre algo que eu vivi, algo que me falaram, algo que eu vi, claro que mais enfeitado e fantasioso, mas as vezes to andando na rua e penso nas coisas rimando e escrevo no que tiver pela frente hehehe acho que eu só penso demais.



O seu trabalho possui um certo romance: entre os temas principais estão saudade, amor, paixão, solidão. Existe algum motivo em especial por essa temática? Como as ideias surgem para você? O que te inspira?
Pra mim, tudo que acontece no mundo, tudo que desacontece, tudo que virá a acontecer, é sempre sobre amor. Amor de várias formas, por várias coisas. Eu falo sobre isso porque o amor pra mim é realmente tudo. Saudade, solidão, paixão, são meras consequências da forma como a gente consegue encarar o amor. Tudo pode me inspirar. Mas geralmente são coisas pequenininhas. Se eu vejo uma borboleta ou um passarinho [que] canta bonitinho, esse vai ser um grande dia, isso vai me inspirar muito. As pessoas que eu gosto me inspiram, os dias tristes inspiram. Quando falo em inspiração, é aquele momento que eu fico tão feliz, ou tão enorme, que vai parecer que sou apaixonada por tudo. E quando sinto que não gosto de nada, me apaixono por isso também. Eu sou muito sentimental hahahaha isso é uma loucura!

Mas na verdade muito do que escrevo ou pinto são recados pra mim mesma. Entender que o amor não dói, que é preciso ter coragem, que a saudade existe e escorre de mim. Eu preciso escrever sobre o amor pra tentar viver ele de uma forma boa,de uma forma que não se enlouqueça. Pra não doer.

Você tem um estilo que mistura colagens, intervenções, pintura, aquarela e ilustrações em nanquim. Uma grande mistura que criou algo único e profundamente delicado. Como é a sua escolha de materiais e estilos na hora que criar uma peça? Quais são as suas influências?
Bah, pois é. Eu não entendo muito de tintas e coisas do tipo. Tudo que eu entendo é porque já usei e sei como a coisa funciona. Nisso de não entender eu comprei vários tipos de tintas e materiais, e pra ser bem sincera, eu uso tudo aquilo que tem a cor ou textura que eu acho que possa ficar legal, mas geralmente são misturas que um professor de arte, por exemplo, diria com certeza pra eu não fazer hahahahah eu não penso se aquilo que eu to usando vai ter uma grande duração ou não, se vai secar ou não, é sempre tão momentâneo e sincero o que eu gosto de fazer que eu acabo só me importando em fazer na hora. Se deixar pra depois já passou, já nem era mais bem aquilo hehehe

Como influência, eu gosto da arte de pessoas. De anônimos. De quem eu conheço na rua e faz arte na rua, de gente que faz coisa simples e cheia de coração. Mas tem dois artistas conhecidos que eu gosto, que é o Basquiat e o Leonilson. Mas acho que eles dois tem bastante dessa coisa simples que eu falei. E acho que eles são extremamente inteligentes e loucos por isso!



Explica pra gente: por que a fixação com animais?
hahahahha aiiii. Sabe, não sei. Eu nasci na zona rural de Bento [Gonçalves, interior do Rio Grande do Sul]. Me criei no meio do mato. Eu gosto muito de mato, pra mim o verde é a vida e a renovação de um tempo na cidade. O mato é a vida real, é de onde tudo vem. Mas basicamente todos os animais que eu desenho eu nunca tive contato. Mas eu acho eles realmente muito poéticos, eu acho lindo, eu sou apaixonada por cornos porque eles me parecem uma poesia bem escrita. São quase sempre animais selvagens, e acho que eles são muito mais simbólicos do que representações literais. E além disso que sou uma defensora da causa animal, acho que eles merecem todo meu carinho e atenção.



Qual a sua relação com a “arte”, e o que ela significa pra você? Como é ser uma artista, uma pessoa capaz de produzir obras artísticas?
Acho que eu nem consigo ter uma relação com a arte, acho que ela tá dentro de mim. Não sei ver a diferença de algo que eu pintei com o resto da minha vida. Porque eu pinto e escrevo a minha vida, então isso é só mais uma parte do meu dia normal. A parte mais feliz do meu dia normal. Arte é a forma que eu encontro de incentivar tudo que eu acredito. Uso a arte pro amor, pro veganismo, pra bicicleta, pela natureza. Tem gente que grita e mostra tudo que tá errado - o que eu acho extremamente válido - mas eu quero sempre tentar falar baixinho e mostrar o outro lado bonito. Acho que a arte é o que me cura e o que me deixa mais louca!

Como foi a parceria com o Eu Me Chamo Antônio?
Ah, foi logo que eu fiz a página. Tenho uma amiga aqui em porto alegre que conhece o Pedro e que mostrou meu trabalho pra ele. Ele veio falar comigo e depois de um tempo propôs que fizéssemos algo juntos. Fizemos duas frases. Uma que ele começou e eu terminei. A outra eu comecei e ele terminou. Depois eu fiz um desenho pra cada uma delas. Uma das frases virou camiseta da Pulselibre que foi lançada pro dia dos namorados do ano passado. Foi ótimo fazer essa parceria, até porque ele já era muito conhecido na época e eu fiquei bem chocada que ele quisesse fazer algo comigo hahahah.



Como tem sido o retorno do público em relação ao seu trabalho?
Ah, é lindo!!! As pessoas são muito fantásticas e carinhosas. Até porque tu gostar de algo é fácil, mas tu ir lá e falar que gosta é outra coisa. Muitas pessoas me mandam mensagens todos os dias e é sempre uma hora de felicidade quando vejo! Qualquer coisinha me é grande, porque tudo que faço é tirar de mim um pedaço, alguém gostar disso, vish, é muito feliz. Tem gente muito bonita no mundo!

Existem planos para o futuro? Exposições, livros?
Eu não sei direito sobre o futuro não hehehehe tem pessoas me convidando pra exposições e preciso me organizar pra isso. Eu acho legal expor, mas tambem acho meio apavorante um lugar e um dia que as pessoas vão lá me ver. É tipo o mesmo pavor que eu tenho de fazer aniversário hahhaha Mas tenho que deixar de ser medrosa. 

Algumas pessoas me perguntam sobre livro, sabe, agora eu posso parecer muito despretensiosa, mas é que eu não vou muito atrás disso, eu não vejo como eu possa fazer das coisas que eu escrevo um livro, mas talvez um dia eu descubra e faça alguma coisa. Por ora fico só rabiscando pelos cantos da casa uns suspiros de amor.



Como as pessoas podem entrar em contato com você, caso queiram adquirir algum trabalho seu?
Ahh, é só mandar mensagem na página mesmo, ou no meu facebook ou me encontrar na rua e falar ou me mandando uma cartinha hahahaha. Eu só não consigo fazer encomendas de desenhos. Até já fiz um texto sobre isso na página. Várias pessoas já me pediram encomendas de coisas e eu não consigo muito dizer não, só que chega na hora de fazer, como não é algo que eu senti/pensei/exagerei, eu nunca acho o resultado final bonito e isso me dá agonia. Não é por mal, é também porque eu não quero frustrar a pessoa que queria algo bonito hehehehe

E por que a Isadora não entende nada?
Quanto mais eu estudo e me aproximo das coisas, mais longe eu fico de entender. Quanto mais se sabe, mais se sabe que tem pra saber. Eu não entendo nada porque de sentimentos, quem é que vai poder dizer? Se a gente começa a entender as coisas a gente para, se basta e logo já não sabe mais nada. Eu não quero parar, eu quero passar a vida inteira me fazendo perguntas e tendo uma resposta diferente por dia, quero aprender pra sempre, me desprender sempre e desentender do amor, pra ver se assim ele fica pertinho. 

Contato


Você pode acompanhar o trabalho da Isadora seguindo os links abaixo:

Facebook: www.facebook.com/IsadoraNaoEntendeNada
Tumblr de Textos e Poesias: http://pedalandoempensamentos.tumblr.com/
Tumblr de Pinturas e Ilustrações: http://enlouqueceuosolhos.tumblr.com/


Publicado em terça-feira, junho 10, 2014 por Kayo Medeiros

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quarta-feira, junho 04, 2014



“Arte não é coisa que se faça”, diz Isadora. Rindo, lembra de como surgiu a ideia de ir para a faculdade de Artes. Nascida em Bento Gonçalves (RS), aos 18 anos deixou a Serra Gaúcha para estudar publicidade. Aos 20, deixou a publicidade para estudar artes. Aos 23, deixa a faculdade de artes para fazer arte. “Já mudei mil vezes, já recomecei mil vezes. E cada vez parece que eu estou exatamente onde eu gostaria!”, explica.




Se a decisão de se dedicar à sua própria produção foi repentina, a sua relação com a poesia e a pintura já é de longa data. Desde criança, Isadora sempre desenhava, pintava e escrevia, mas nega que tenha sido sempre tão natural. “Passei um ano na faculdade de artes sem produzir nada meu. Eu sabia desenhar, mas não sabia imaginar, não sabia ser criativa. Teve um dia de abril 2012 que eu tinha que ir pra aula às 8h30 da manhã. Tava chovendo muito. Eu tinha uma aquarela em casa. Eu tinha um livro antigo. Eu nunca tinha usado aquarela mas aquele dia de chuva parecia bem propício. Pintei algumas páginas do livro antigo e no mesmo dia tranquei a faculdade que eu não tava curtindo e fiquei fazendo isso”, conta. “Aquele parece que foi o dia em que eu aprendi a imaginar, aprendi a criar um pouco. Depois disso eu só queria fazer algo que fosse meu, era ali que eu podia falar.”




Nos últimos dois anos, Isadora tem produzido cada vez mais, participado de exposições (incluindo a Casa de Cultura Mário Quintana, o Instituto de Artes da UFRGS e a Galeria Experimental da IFSul) e firmado parcerias, tendo inclusive integrado um projeto com a página Eu Me Chamo Antônio. “Fizemos duas frases. Uma que ele começou e eu terminei. A outra eu comecei e ele terminou. Depois eu fiz um desenho pra cada uma delas. Uma das frases virou camiseta da Pulselibre que foi lançada pro dia dos namorados do ano passado.”





Com um trabalho permeado por um romance com a vida, “Isadora Não Entende Nada” tem uma obra emocionante, e que não se distancia das realidades da vida. “Pra mim, tudo que acontece no mundo, tudo que desacontece, tudo que virá a acontecer, é sempre sobre amor. Amor de várias formas, por várias coisas. Eu falo sobre isso porque o amor pra mim é realmente tudo. Saudade, solidão, paixão, são meras consequências da forma como a gente consegue encarar o amor”, diz Isadora.



Você pode acompanhar o trabalho da Isadora seguindo os links abaixo:

Tumblr de Textos e Poesias: http://pedalandoempensamentos.tumblr.com/
Tumblr de Pinturas e Ilustrações: http://enlouqueceuosolhos.tumblr.com/

Não esqueça: semana que vem publicaremos na íntegra a entrevista com a Isadora! Acompanhe nossa fanpage!


Publicado em quarta-feira, junho 04, 2014 por Kayo Medeiros

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quinta-feira, maio 29, 2014


Em meio ao rico cenário musical mineiro, Thales Silva, músico e compositor conhecido por sua participação na banda A Fase Rosa, vem lapidando suas canções. Seu universo musical ganhou o nome de “Minimalista”, álbum e projeto homônimos que transitam por diferentes formas assumidas na chancela da MPB, sem perder o fio condutor da composição e poesia autoral.

Acompanhado de Fernando “Feijão” Sá (bateria) e Rodrigo Magalhães (contrabaixo), Thales Silva convida o público a experimentar uma sonoridade atual e muito vinculada à cultura independente, sobretudo a brasileira, e as fontes de onde ela tem bebido. O resultado sonoro é a mistura da MPB nas suas variantes mais clássicas, como a bossa, o baião e o samba, com texturas do indie rock e da cultura pop mundial.

Sobre o álbum Minimalista


“O mínimo, o vazio e a simplicidade”. Essas foram as ambições que nortearam a criação de Minimalista, com composições mais decididas, representando um momento de leveza e mais amor do autor. O cunho político (presente nos trabalhos anteriores com A Fase Rosa) ainda está lá, porém mais atento ao horizonte e à esperança. Entre as influencias que nortearam a composição do álbum estão diversos artistas importantes para MPB, que hoje são ainda mais reconhecidos, como Gonzaguinha, Luiz Melodia, Jards Macalé e os já tradicionais Caetano Veloso e Gilberto Gil.

Composto por 11 faixas, o álbum se inicia com “Neguinha”, que fala de quando do amor, fica a amizade; “Saudade”, homenageando o Baile da Saudade e a música negra do Brasil e do mundo; “Amarelo”, um amor de verão; “Boniteza”, duas palavras, sua sonoridade e um momento para esquecer do mundo; “Não sabe”, sobre um grito em forma de pixo "amor? só de mãe, o resto é ódio..."; “Conversation”, uma conversa fictícia com Jesus Cristo sobre os resultados de um mundo criado às pressas por Deus, seu pai; “O grande espelho”, reflexões sobre ‘Os dias com ele’ de Maria Clara Escobar e outras relações que viu e vivenciou na vida; “Coisa linda”, o amor enquanto musa inspiradora; “Menino Preto”, sobre um menino assassinado pela polícia no Aglomerado da Serra; “Sara”, sobre um amor distante, encontros e desencontros, e fechando o disco “Síndrome de Estocolmo”, sobre um coração de menino e o medo do amor.

Sobre Thales Silva


Vocalista e guitarrista da A Fase Rosa, banda mineira que mistura rock e ritmos brasileiros, Thales Silva é o principal compositor de “Homens lentos”, de 2013, e do EP “O Arquiteto e o carnaval”, de 2011. Com A Fase Rosa, Thales já participou de diversos festivais, tendo se apresentado por Minas, Rio e São Paulo. Além disso, o músico é colaborador de grupos como Albert, Djambê, e O Padre dos balões, e parceiro de artistas como Leo Minax e Dudu Nicácio. Está ainda por traz do grupo Juventude Bronzeada, que traz releituras festivas de clássicos do Axé e das músicas de carnaval, tendo sido o vocalista também do primeiro Bloco Juventude Bronzeada, no carnaval de 2014.




Acesse:

Minimalista (2014)

Informações: fb.com/minimalistamusica

Publicado em quinta-feira, maio 29, 2014 por Kayo Medeiros

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sexta-feira, maio 23, 2014



Cearense. Magra. Feminista. Artista. Mãe. De toda a longa lista de adjetivos que podem ser utilizados para explicar Sirlanney, nenhum é tão revelador quanto o seu próprio trabalho. Pintora, quadrinista e, por que não, poeta, a jovem criativa de traços e sorrisos delicados esconde por debaixo das roupas floridas um coração bruto, pulsante e cheio das dores cotidianas das vidas de todos nós.


Conversamos com a Sirlanney sobre seu trabalho, sua vida, suas ideias. Acompanhe abaixo:

- Quantos anos você tem? Ainda mora no Rio? Voltou pra faculdade?
Oi! Eu tenho 30, estou no ceará, mas meus livros e amores estão no Rio. Fico no Ceará até agosto para cuidar de problemas de saúde, do crowdfunding do meu livro e outros projetos paralelos, que seriam impossíveis de fazer no meio do trabalho de conclusão de curso, que retomo no próximo semestre.

- Você diz que faz quadrinhos para não enlouquecer (tá lá no about do tumblr, rs). Qual é a sua relação com os seus trabalhos, e como eles te afetam?
Talvez me enlouqueçam mais, viu, eu tenho que mudar aquilo. Ah, de certa forma me ajudam sim. Sem desenhar e colocar para fora aquilo que me sufoca eu vou realmente definhando. Tudo perde o sentido, como se o único sentido fosse desenhar. Eu sei que não é só isso, tem a família, os amigos, o amor, que dão o verdadeiro sentido de tudo. Mas colocando de forma prática, de repente eu estou me sentindo muito mal com alguma ideia me perturbando e doendo muito, sabe? Então eu penso: vou transformar isso em algo, seja um quadro, ou um quadrinho. Depois que vira um quadrinho, para de doer, porque atingiu outro patamar, não é mais só uma minhoca na minha cabeça. Agora pode ser uma minhoca na cabeça dos outros. Não sei, acho que tem a ver com a brevidade da vida.


- Bukowski é um autor muito cru, objetivo e “carnal”. Kerouac (como boa parte da geração beat) era algo muito próximo de um filósofo, prolífico em adjetivos e questões sobre o mundo e sobre ele mesmo. Apesar de diferentes, você registra ambos como influências. Por quê?

Ah, eu não acho tão diferente assim. Bukowski foi um beatinik fora do tempo, só isso, ou uma continuação, sei lá. Ele também é um filósofo! Ele vai falando que fez isso e aquilo, e bateu e chupou, etc, mas num momento ele vai e dá um salto, você nem percebe, mas você já está sobrevoando com ele para o outro lado, da existência e do infinito. Mas eu sofro muita influência também de Dostoievski, Julio Cotázar, Henry Miller... Esses sim, completamente diferentes uns dos outros. É importante para mim não me prender a um estilo, nacionalidade, época, etc.

- O seu trabalho não é apenas “autobiográfico”. Ele vai além, e é capaz de transmitir o quão doídas foram as situações e os pensamentos. Sejam amores ou dificuldades, a sensação de ler seus quadrinhos é sempre muito forte. Como você enxerga esse caráter visceral da sua obra?
Uau. É bom ouvir outra pessoa falando. Acho que tem a ver com meu gênio, digo, minha forma de viver, talvez eu seja mesmo intensa e visceral, isso acaba comigo. Se o leitor consegue perceber isso nos meus quadrinhos eu me sinto muito muito grata.





- O seu trabalho passou por uma clara transformação a partir de 2010. Há uma notável diferença nos traços, na escolha de cores e até de materiais. Poderia falar um pouco sobre isso?
Hahahaha eu não sabia fazer melhor. As cores eram "pobres" na minha opinião de hoje, eu entendia muito pouco de aquarela. Mas fiquei o caminho inteiro dentro do ônibus bolando aquele quadrinho, separando por quadros, o roteiro, imaginando como eu queria desenhar. Ele levou o triplo do tempo que levo hoje pra fazer uma página. Tudo é um processo, não é? Um quadrinho depois do outro. Espero que ano que vem eu tenha aprendido coisas novas também, e possa rir da Sirlanney de hoje como faço agora com a de 2011, o que é uma sacanagem.

- Você foi mãe aos 19 anos. O que isso representou pra sua vida, e pro seu trabalho?
A Luna tem uma importância absurda na minha vida, claro. É tudo o que eu sou. Talvez se eu não tivesse tido ela eu não seria mãe nunca e sou muito feliz por ser. Muitas artistas foram mães e não puderam exercer esse papel social assim como eu. Patti Smith e a quadrinista Aline Crumb foram mães aos 19 e deram pra adoção. Eu não fiz isso, mas o desejo de ser alguém e deixar algo para ela foi maior do que minha capacidade de criar, digo, de ficar em casa, renunciar ao trabalho e a busca pelo que fosse melhor. Eu era uma menina de 19 anos, seríamos duas meninas jogadas no mundo sem esperanças, cuidando da casa, a procura de maridos que cuidassem de nós. Eu fui racional ou egoísta, depende do ponto de vista. Mas isso me deu um sentido de trabalhar por alguém além de mim, uma meninazinha engraçada em quem eu coloco a culpa por querer desesperadamente "ser alguém". No fim eu só espero que ela me ame, parece que ela me ama muito.


- Como você define e enxerga o seu trabalho agora? Seus quadros, seus quadrinhos? O que você vê neles?
Eu vejo uma massa em transição. Eles me deixam satisfeita... Logo que eu acabo uma tela ou um quadrinho, eu vejo que aquilo é maior do que eu e me sinto agradecida. Mas vejo também mil possibilidades para explorar, o que me anima. Tudo que eu quero é condições para trabalhar trabalhar trabalhar e deixar essa massa mais definida, mas nunca o suficiente, senão vou ter que parar de mexer.

- Vamos falar sobre a campanha no Catarse: qual a motivação desse projeto, e o que ele representa pra você?
Esse projeto está idealizado desde o início do blog, em 2012. Eu tinha muito desejo de fazer alguma publicação, alguma coisa só minha. Tentei fazer uma história mais longa, Vingança de Odorica, e descobri que ia ser muito caro para publicar. Então conheci o projeto do Ryotiras, que comprei. E era isso, a compilação de seus webquadrinhos num livro incrível. Os amigos dos Quadrinhos Insones tinham acabado de fazer o mesmo para produzir a revista "Libre!" Então percebi que para eu ter volume até lançar a campanha do catarse ia precisar de tempo, paciência, trabalho e conquistar leitores. Em resumo eu fiz uma estratégia e confiei no meu talento, agora achei que chegou a hora. Para mim ele representa a realização de um sonho que foi acalentado por muitas noites insones. Como falo no vídeo do catarse, um primeiro passo, ou o maior passo que dei até agora. Minha própria publicação!!! Mas ele representa mais do que isso se olhar no contexto global e não só de meta pessoal. Eu faço parte de um novo mercado de uma nova era. Pessoas que com o trabalho e o esforço próprio podem se virar diretamente com o público, sem precisar de velhas empresas viciadas intermediando isso. Eu nunca fui publicada num jornal de grande porte, nunca bebi champanhe com esses magnatas, eles nunca divulgaram meu trabalho. Eu nasci da internet e estou me publicando com a ajuda da internet. Se isso der certo, é um grande dedo do meio! (ou será só algo para levar debaixo do braço quando "eles" quiserem ver meu trabalho)


Não esqueça de apoiar a campanha da Magra de Ruim no Catarse!

Para conhecer mais sobre a Sirlanney, você pode:

A) Acessar o tumblr lindo dela;
D) Todas as opções acima.


Publicado em sexta-feira, maio 23, 2014 por Kayo Medeiros

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quarta-feira, maio 21, 2014



Sirlanney, criadora do "Magra de Ruim"
Cearense. Magra. Feminista. Artista. Mãe. De toda a longa lista de adjetivos que podem ser utilizados para explicar Sirlanney, nenhum é tão revelador quanto o seu próprio trabalho. Pintora, quadrinista e, por que não, poeta, a jovem criativa de traços e sorrisos delicados esconde por debaixo das roupas floridas um coração bruto, pulsante e cheio das dores cotidianas das vidas de todos nós.
Nascida e criada em Morada Nova, cidade do interior do Ceará, Sirlanney diz que desenha desde criança. "É difícil lembrar porque toda criança gosta de brincar com papel e tinta. Nas minhas memórias mais distantes, apareço criando uma relação afetiva com os lápis de cores", diz a artista. E se os traços estiveram sempre presentes na sua vida, pode-se dizer que a sua própria vida também esteve sempre presente nos seus desenhos. Com uma obra claramente autobiográfica, afirma que faz as tirinhas para narrar sua "vida, sentimentos e para não enlouquecer".
Não que enlouquecer fosse de todo mal: com a coragem de tratar de temas delicados (para todos nós) como amor, sexo, feminismo e crises pessoais, a obra de Sirlanney foge ao lugar-comum da piadinha diária usada para acalmar os ânimos e arrancar sorrisos com o canto da boca. Para ela, as dores da vida são sempre mais fortes. "Acho que tem a ver com meu gênio, digo, minha forma de viver, talvez eu seja mesmo intensa e visceral, isso acaba comigo", confessa.



Campanha no Catarse


Após 2 anos de planejamento, a "Magra de Ruim" vai finalmente ganhar as ruas em uma versão impressa - a primeira, na verdade. O livro contará com cerca de 150 páginas coloridas, reunindo seus melhores desenhos e tirinhas publicadas no seu blog (sirlanney.tumblr.com). A publicação contará com histórias inéditas, além do zine erótico "Sdds".

"Para mim ele representa a realização de um sonho que foi acalentado por muitas noites insones. Como falo no vídeo do catarse, um primeiro passo, ou o maior passo que dei até agora. Minha própria publicação!!!  Mas ele representa mais do que isso se olhar no contexto global e não só de meta pessoal. Eu faço parte de um novo mercado de uma nova era. Pessoas que com o trabalho e o esforço próprio podem se virar diretamente com o público, sem precisar de velhas empresas viciadas intermediando isso", conta Sirlanney.

Apoie a campanha da Magra de Ruim no Catarse! É só clicar aqui e contribuir!



Para conhecer mais sobre a Sirlanney, você pode:

A) Acessar o tumblr lindo dela;
C) Voltar aqui na sexta, quando vamos publicar uma entrevista exclusiva que fizemos com elas;
D) Todas as opções acima.

Confira abaixo alguns trabalhos da Sirlanney:








Publicado em quarta-feira, maio 21, 2014 por Kayo Medeiros

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